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Eles disseram

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Eles me disseram para ir ao shopping center, eu fui. Estando lá, entrei em todas as lojas procurando por ela, não encontrando, acreditei que devesse comprar e com isso ela viria, comprei. Não vindo ela, me sentei num barzinho e pedi um chope, pois eles me disseram que na minha embriaguez ela se tornaria presente, bebi. Em minha tontura me questionei do porque ela ainda não ter aparecido e esse questionamento causado por grande angústia por não tê-la fez-se voz e eles me ouviram. Ouvindo meu lamento, eles me disseram que haveria de fazer mais, a estrada era difícil e estreita, mas que teria plenitude e paz quando a atravessasse. Perguntei o que mais devia fazer e estava disposta à tudo desde que não me visse mais naquela situação deplorável de necessidade e na minha sinceridade eles disseram que eu devia agir diferente, perguntei como. Eles me disseram que devia fazer muitos amigos e ter pessoas de grande poder aquisitivo ao meu lado, que fizesse de tudo para não perder o meu espaço entre eles.
 
Certo dia então, meus amigos estes disseram que iríamos a uma festa e que eu fosse vestida de forma ligeiramente provocante, me vesti e fui. Na festa, mesmo estando desconfortável, me enturmei e ri das piadas alheias, dancei e bebi. Meus amigos perguntaram se eu queria experimentar algo novo; tive medo, contudo eles, que me instruíram desde o início falaram que não havia hora para receio e que eu devia aceitar, usei. Em meu delírio e êxtase vi a face dela num vulto. Ela saía do salão com pressa, não entendia o porquê e fui atrás. O ar gélido, busquei-a por todos os lados e tomando ciência de meu estado, reparei que haviam olhos amarelos no escuro que me olhavam à ponto de me despir, corri. Conseguindo escapar daquela tragédia eminente, chorei porque meu corpo e alma estavam enfadonhos. A busca por ela era cansativa e eu sentia que havia ultrapassado todos os limites da minha dignidade.

Observando meu desgosto, eles me deram seu parecer. Se havia visto em delírio, então todo momento que quisesse encontrá-la deveria usar daquilo, o fiz. Todos os dias. A força em mim se esvaia e eles me disseram para continuar, continuei. Estava consciente de que havia outros. Na rua lia fragmentos de salvação, arrependa-se enquanto há tempo ou morra; e dentro de mim surgiu a dúvida. Tomando conhecimento dos meus pensamentos, as vozes disseram para abandonar todos e para minha surpresa, com a boca trêmula e olhos inchados eu disse não. Quase não pude acreditar que havia dito aquilo, quanta insanidade, estando inclinada a não mais ceder.

Eles me abandonaram. Anteriormente, de forma inteligível, a sombra que se refletia atrás de mim no espelho fez questão de algo. Buscaria por ela até a morte na estrada em que seguia, sem por fim encontrá-la, porque eu devia lutar contra os meus demônios e não, andar com eles.

2 comentários:

  1. Das buscas. Uns procuram. Outros não. O que seria melhor? Amei o texto!

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